Violência relacionada com o género nas escolas Africanas

Fiona Leach

Uma experiência recente no Zimbabué, Gana e Malawi mostra que a agressão sexual masculina contra as raparigas é endémica e institucionalizada nas escolas secundárias. As raparigas recebem propostas por parte dos colegas e dos professores dentro da escola e por parte de "sugar daddies" fora da escola. Além disso são aliciadas com dinheiro, presentes ou promessas de casamento para terem relações sexuais. Qual é o papel desempenhado pela cultura dos alunos no incentivo a este abuso? Como pode a escola ajudar a modificar estas atitudes e estes comportamentos?

Uma equipa de investigadores, coordenada pela Universidade de Sussex, R.U., investigou a natureza e o modelo do abuso sobre as raparigas em escolas mistas secundárias no Zimbabué, Gana e Malawi. Os resultados desta investigação sugerem que a cultura dos grupos de adolescentes no ambiente da escola encoraja os alunos e as alunas a aceitarem alguns comportamentos estereotipados, que tornam as alunas particularmente vulneráveis aos abusos sexuais.

O dinheiro é crucial nesta cultura de grupo. As alunas carecem das necessidades básicas para frequentarem a escola, tais como uniforme, livros, dinheiro para a mensalidade e para os transportes e, ainda, algum dinheiro de bolso para gastarem. Assim, os alunos que têm dinheiro para comprar comida na cafetaria da escola, são motivo de inveja e de admiração. No seu desejo de serem populares, de serem aceites e de terem estatuto entre os seus colegas, as alunas são levadas a aceitar dinheiro ou snacks dos seus colegas que têm mais oportunidades de receber algum salário a partir de trabalhos eventuais. Do mesmo modo, é difícil resistir a presentes, dinheiro ou promessas de casamento por parte dos professores e dos "sugar daddies". Deste modo, as alunas podem sentir-se obrigadas a entrar numa relação de dependência e exploração sexual.

Da mesma forma, existe uma pressão por parte dos grupos dos rapazes que obriga a que os mais velhos consigam a atenção das alunas mais novas. Ter uma namorada e competir pela atenção dos colegas constituem factores da identidade da adolescência masculina. Ao oferecer à colega doces ou snacks, o rapaz está a mostrar que está pronto a pagar-lhe favores sexuais. As raparigas e os rapazes neste estudo concordaram que as primeiras iniciam as relações sexuais com homens adultos essencialmente por dinheiro. Os rapazes que não aceitam este estereótipo masculino são objecto de troça ou de violência.

Fiona Leach pode ser contactada através de: Centre for International Education, University of Sussex, Institute of Education, Brighton BN1 9RG, UK
Tel: +44 (0)1273 678256 Fax: +44 (0)1273 678568 Email:

é vital discutir a questão do abuso e da violência, a todos os níveis, na escola e actuar fortemente para reduzir os riscos que as alunas enfrentam na escola e no espaço envolvente - considerando especialmente que elas são extremamente vulneráveis à infecção do HIV. As estratégias a implementar incluem a necessidade de:

Embora esta investigação tenha sido financiada pelo "UK Department for International Development" (DFID), os pontos de vista expressos neste artigo não representam necessariamente os pontos de vista e a política do DFID.

O id21 é um serviço de informação baseado num site que pretende permitir a troca de resultados de investigação relacionada com questões de desenvolvimento. é financiado pelo DFID e está localizado no Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Universidade de Sussex.

www.id21.org

O site www.id21.org/education/ gender_violence/index.htmlfoi elaborado no âmbito deste estudo.

A expressão"sugar daddy" que não tem equivalente em português, refere-se a um homem que procura obter favores sexuais ou apoio doméstico de crianças ou adolescentes do sexo femenino, em troca de presentes (muitas vezes doces), dinheiro ou segurança.

Reference:
Link: http://www.eenet.org.uk/resources/eenet_newsletter/news7_port/page10.php
Published in: Enabling Education 7_