Democratização Na Sala De Aula - Mpika, Zâmbia

Pôr Em Prática A Política - Paul Mumba

Paul Mumba é um professor de uma escola rural que acredita que a inclusão tem a ver com os direitos humanos, a justiça social e a democracia. Declara que os professores, ditos de ensino regular, estão melhor qualificados do que os especialistas para promover a inclusão. Aqui descreve as suas reflexões sobre a sua própria formação como professor e a sua prática, antes de serem introduzidos os métodos democráticos na sua sala de aula.

Um profissional reflexivo: Quando terminei os meus estudos no ensino superior verifiquei que as teorias que tinha aprendido não funcionavam. Achei que não estava a ser um bom professor. Não estava a trabalhar bem e as crianças também não estavam a trabalhar bem. Os métodos de ensino tradicionais estavam antiquados e tentei métodos diferentes.

OS DESAFIOS

Diferentes necessidades e diferentes ritmos: Era difícil ensinar classes mistas e com crianças com diferentes capacidades. Havia uma grande distância entre as realizações dos rapazes e das raparigas - as raparigas achavam difícil trocar ideias com os rapazes. O governo abriu, na nossa escola, uma unidade para crianças com necessidades especiais e isso fez sobressair as necessidades das crianças com dificuldades de aprendizagem que estavam nas nossas classes.

Tradição e direitos das crianças: A tradição Africana não permite que as crianças sobressaiam. Diz-se às crianças para não falarem sem a autorização dos adultos. Mas elas precisam de conhecer os seus direitos e falarem livremente. Na Zâmbia há literatura da UNICEF sobre os direitos da criança e sobre o ensino Criança-a-Criança mas não chegou a todas escolas. O governo está a tentar atingir a democracia mas as crianças e a comunidade ainda não percebem bem o que isso é.

"Cheguei à conclusão que a sala de aula precisava de ser democratizada de modo que todos pudessem aprender em conjunto."

THE SOLUTIONSAS SOLUçõES

As vozes das crianças: De início, quando comecei a encorajar as crianças a exprimirem os seus pontos de vista, eles falavam demais. Era difícil perceber o que estavam a dizer, mas eventualmente percebi. Queriam ter mais recreio e mais tempo para brincar - isto não constava do seu currículo académico. Queriam ter o horário na parede para poderem saber se o professor estava a fazer aquilo que estava previsto. Tiveram outras ideias excelentes. Fique espantado!

Auto-avaliação: As crianças tinham de verificar aquilo que tinham aprendido no fim de cada dia. Eram encorajas a apontar os aspectos positivos do comportamento de cada um. Alguns dos chamados com "dificuldades de aprendizagem" utilizaram da melhor forma as suas capacidades práticas, fazendo brinquedos para as crianças com deficiência.

A avaliação do professor: As crianças tinham que avaliar a forma como eu os tinha ensinado durante o dia e o modo como cada um se sentia em relação ao ensino. Tive oportunidade de dizer aos alunos como ia responder às suas necessidades individuais.

Questionário aos pais: Na Zâmbia, o currículo é muito vasto mas não há sugestões sobre a forma de abordar com os alunos assuntos relacionados com as suas próprias vidas. Encorajei os pais a virem à escola participar no currículo. Perguntei-lhes o que queriam que os seus filhos aprendessem. Dei prioridade aos seus desejos e incluí esses conteúdos no currículo. Alguns membros da comunidade puderam colaborar como voluntários fazendo materiais de ajuda educativa.

Questionário às crianças: No fim do período as crianças fizeram um texto sobre aquilo de que tinham gostado mais durante esse período e aquilo que gostariam de aprender no próximo. Referiram, em particular, uma investigação que tinham feito na comunidade para identificar as crianças que estavam excluídas da escola - quer por terem necessidades especiais, quer por se terem sentido marginalisadas na escola. Fizeram sugestões e apresentaram soluões para os problemas.

Disciplina versus orientação ditatorial: Os outros professores disseram que eu não impunha disciplina uma vez que as crianças expunham as suas ideias. Temiam que isso trouxesse indisciplina. Mas, actualmente, as crianças tornaram-se mais conscientes da sua própria aprendizagem. Passaram a vir para a escola a horas e passaram a ajudar os seus amigos partilhando apontamentos e ideias. No fim do período, as raparigas tinham tido muito bons resultados - muito melhores que os rapazes. Passaram de classe 70% dos alunos. Uma rapariga foi a terceira em todo o país.

"Já não me encontrava na linha da frente. O meu papel tinha-se transformado no de um facilitador. Ajudava as crianças a organizarem as suas ideias. Ensinar e aprender tornou-se mais interessante - uma situação mais parecida com a do ensino superior."

Democratização das classes primárias na Zâmbia (1996), Paul Mumba

Este artigo pode ser solicitado ao EENET e pode ser encontrado na página Web do ISEC e em CD.

Mpika Inclusive Education Project, Northern Province

Patrick Kangwa

O "Mpika Inclusive Project" começou em 1999. Apoia um programa de experimentação e de documentação com a utilização da estratégia Criança-a-Criança em escolas e comunidades que promovem a educação inclusiva.

Visa aumentar a consciência das escolas e das comunidades sobre os benefícios da escola inclusiva e, em particular, desenvolver estratégias que envolvam plenamente as crianças com deficiências na escola e na vida comunitária. Vai ser produzido um guia prático para ajudar os professores que estão empenhados na educação inclusiva e que utilizam a estratégia Criança-a-Criança.

O projecto é financiado pelo Comic Relief através do Child-to-Child Trust.

Tanto Paul Mumba como Patrick Kangwa podem ser contactados em: Kabale Primary School, PO Box T144, Mpika, Zâmbia. Email:


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